Recebo alguns pacientes com suspeita de SIBO ou IMO, alguns que apresentam sintomas, mas ainda não sabem o que isso significa, e outros que já chegam com o diagnóstico definido. E uma dúvida que costuma aparecer é: afinal, qual é a diferença entre essas duas condições e o que a alimentação tem a ver com isso?
Vamos entender!
O que é SIBO?
SIBO é a sigla para Small Intestinal Bacterial Overgrowth, que significa supercrescimento bacteriano no intestino delgado. Nessa condição, há um aumento excessivo de bactérias nessa região, o que pode provocar gases, distensão abdominal, dor, desconforto e alterações no hábito intestinal, incluindo diarreia.
E o que é IMO?
IMO significa Intestinal Methanogen Overgrowth, ou supercrescimento de microrganismos produtores de metano. Nesse caso, estamos falando de arqueias, microrganismos que podem estar presentes tanto no intestino delgado quanto no intestino grosso.O metano está associado a um trânsito intestinal mais lento. Por isso, o IMO aparece frequentemente em pessoas com constipação, dificuldade para evacuar, fezes endurecidas e aquela sensação de barriga estufada que parece não passar.
Apesar dessas diferenças, as duas condições podem apresentar sintomas semelhantes e até ocorrer juntas. O diagnóstico pode envolver o teste respiratório, que avalia gases como hidrogênio e metano, sempre considerando a história clínica e os critérios de interpretação do exame.
E onde entra a alimentação?

É aqui que entra um assunto muito importante na prática clínica: a dieta low FODMAP.
FODMAP é o nome dado a um grupo de carboidratos fermentáveis que podem ser pouco absorvidos no intestino delgado. Quando chegam ao intestino, podem atrair água e ser fermentados pelos microrganismos, aumentando a produção de gases. Em pessoas mais sensíveis, isso pode intensificar sintomas como distensão abdominal, dor, flatulência e alterações intestinais.
A dieta low FODMAP consiste em reduzir temporariamente alguns desses carboidratos para avaliar se há melhora dos sintomas. Isso pode envolver ajustes na quantidade de alimentos como cebola, alho, algumas frutas, leite com lactose, trigo e determinadas leguminosas. Mas calma! Isso não significa que todos esses alimentos façam mal ou precisem ser retirados de todas as pessoas.
A ideia não é cortar tudo e passar a vida com uma alimentação restrita. A estratégia é individualizada e costuma ser dividida em três etapas: redução temporária dos FODMAPs, reintrodução gradual dos alimentos e personalização da alimentação conforme a tolerância de cada pessoa.
E tem um detalhe importante: a low FODMAP pode ajudar no controle dos sintomas, mas não deve ser considerada, isoladamente, um tratamento definitivo para SIBO ou IMO. Ela precisa fazer sentido para aquele paciente, levando em conta o diagnóstico, o funcionamento intestinal e a qualidade da alimentação.
No caso de quem já apresenta constipação, por exemplo, também é fundamental avaliar a ingestão de fibras, a hidratação e a motilidade intestinal, porque simplesmente retirar alimentos pode não resolver o problema.
Então, o objetivo não é descobrir quantos alimentos você precisa cortar, mas entender o que o seu intestino tolera e construir uma estratégia que ajude você a comer melhor e viver com mais conforto. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, sem restrições desnecessárias e sem transformar a alimentação em mais uma preocupação.